Teatro com o grupo Arteiros

    O espetáculo neste dia começou bem antes de abrirem-se as cortinas e a interação com a plateia se deu repentina logo quando o grupo chegou com os equipamentos e nos convidou a construir juntos o cenário ali no pátio, à sombra da árvore em que costumamos nos reunir. Cada caixote que se abria, com galhos de uma árvore criada ou as pedras feitas de isopor, revelava um baú de invenções e possibilidades. As crianças se aproximavam curiosas da eventualidade, algo diferente se passava ali e os olhos fitavam a novidade que se desenhava em cores e texturas nos objetos que decoravam o cenário e também no movimento dos corpos dos artistas.

   Bancos foram posicionados à frente do painel formando um semicírculo, crianças menores no colo dos alunos da extensão. Todos a postos, começa a peça O Grúfalo. Foi fascinante acompanhar ao enredo encenado, muitos outros adultos, para nossa surpresa, também se aproximaram e a peça seguiu entre torcidas e gritos da plateia, afeiçoada com a personagem do ratinho que, muito esperto, driblava as emboscadas para se safar do Grúfalo.

     Foi um dia de linguagem diversa, palavras novas, cores, caretas e músicas e um grande universo de fantasia, que é próprio do repertório de criança, uma autêntica Ocupação da arte na Ocupação Vila Paula.

   Como era de se esperar, o fim da peça anunciou a abertura de um contato ainda mais próximo com as personagens. Foram sessões intermináveis de fotos, permuta de adereços e os sorrisos e abraços fraternos que demonstravam a amplitude de alcance afetivo que o teatro e as boas companhias nos proporcionam.

    Em seguida houve o convite da coordenadora do grupo Arteiros para que as crianças desenhassem algo sobre a peça, um momento, ou outra inspiração que lhes surgissem. Papéis e lápis coloridos foram entregues e logo as folhas brancas deram lugar aos Grúfalos e outros animais e elementos que apareceram na peça. Lembro-me deste momento como um decantar de pensamentos na folha de papel. As crianças fazendo algo que já estavam acostumadas, uma vez que, como grupo de Extensão Universitária frequentemente criamos oficinas de desenho para nos aproximar das crianças, de suas narrativas e fantasias, mas desta vez elas estavam embaladas pelo acontecimento recente que fora uma estória contada que foi também vivida e, ao convite, foi possível desenhar no papel algum traço que registrasse o encantamento provocado por este levado encontro.

Beatriz Soares Pires