Na ausência do endereço, onde mora a Saúde?
Um olhar sob a perspectiva dos determinantes sociais e a saúde de populações de ocupações

Isabeli Karine Martins Castelaneli (FEnf)

Orientadora: Profa. Dra. Maria Filomena de Gouveia Vilela

RESUMO

Pesquisa qualitativa cujo objetivo foi analisar a influência dos Determinantes Sociais da Saúde no processo saúde-doença de população residente em área de ocupação de Campinas, com enfoque no acesso aos serviços de saúde, habitação (condições de moradia, água e esgoto) e trabalho (emprego e renda). Utilizaram-se entrevistas semiestruturadas com moradores e dados secundários oriundos de censo comunitário elaborado por lideranças locais para traçar o perfil sociodemográfico da população em estudo. Os resultados encontrados indicam desigualdades regionais reveladas nessa ocupação, onde a condição de pobreza, a miséria, a violência, o desemprego e a falta de acesso a direitos básicos de cidadania determinam a piora das condições de saúde de seus moradores. Conhecer e compreender como Determinantes Sociais da Saúde atuam no processo saúde-doença da população pode contribuir para que governos, profissionais de saúde e outros atores sociais, incluindo universidades públicas, intervenham, principalmente, com políticas públicas que busquem reduzir o impacto desses fatores e promover a melhoria das condições de vida e saúde dessas populações, vivendo na invisibilidade social, sujeitas a preconceitos e discriminação de diversas naturezas por parte da sociedade.

Incorporação de aglomerado subnormal à uma equipe de saúde da família

Carolina Sestari Zorzo (FEnf)


Orientadora: Profa. Dra. Maria Filomena de Gouveia Vilela

RESUMO

Esta pesquisa estudou o processo de incorporação de área de ocupação a uma equipe de saúde da família mediante análise do conteúdo de entrevistas realizadas com moradores, trabalhadores e gestores. O contexto era de demanda reprimida por atendimentos, sobrecarga de trabalho e vinculação prévia dos moradores a outra unidade de saúde. Os resultados revelaram que a falta de vínculo e isolamento da comunidade, e a sobrecarga de trabalho na área da saúde, associaram-se ao movimento de resistência da equipe e de lideranças de outros bairros, restrição de acesso a ações de saúde, preconceito em relação a comunidades pobres e menos organizadas e sofrimento dos atores envolvidos, impedindo a reversão de clara situação de iniquidade. O processo tende a ser facilitado pela cogestão e aproximação prévia entre equipe e comunidade.

Itinerários terapêuticos e acesso aos serviços de saúde de moradores de aglomerado subnormal na cidade de Campinas-SP

Bianca Contieri Bozzo Campos (FCM)

Orientador: Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

O aumento da pobreza, desigualdade social e desemprego tem levado um número cada vez maior de brasileiros a morarem em ocupações urbanas. O surgimento desses novos aglomerados subnormais exige novos arranjos territoriais no sentido de garantir acesso a serviços e ações de saúde à essa parcela da população. Esta pesquisa estudou os itinerários terapêuticos de moradores de ocupação localizada na periferia do município de Campinas-SP. Encontrou-se que ocupações urbanas com pouco tempo de existência apresentam características singulares tais como processo de organização social incipiente, moradias e infraestrutura sanitária muito precárias, provisoriedade e risco de desaparecimento por reintegração de posse, relação com a UBS de referência ainda frágil e vínculo residual de seus moradores com os territórios e UBS de onde provinham. Esses fatores, nas suas dimensões individuais e coletivas, assim como outros relacionados com preconceito diante de situação de pobreza, determinam itinerários terapêuticos igualmente singulares. No caso da ocupação estudada, seus moradores dividem-se entre aqueles que transferiram seu cuidado para a UBS de referência da ocupação, que permanecem sendo acompanhados na UBS anterior, que priorizam o atendimento em serviço de urgência ou se vinculam a ações de assistência realizadas por universitários ligados a projeto de extensão.

Ações de extensão universitária com crianças de área de ocupação

Gustavo Terroni (FCM)

Orientador: Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

Como um dos braços do projeto de extensão universitária, os extensionistas são responsáveis por atuar de forma lúdico-pedagógica com as crianças, através de atividades que coloquem em discussão os papéis de gênero, seus conhecimentos sobre seus corpos e convivência em comunidade. Para além desse papel direto, a vertente do projeto direcionada ao acompanhamento das crianças acaba por gerar um ambiente seguro entre os extensionistas e as crianças através do vínculo estabelecido entre eles, abrindo, dessa forma, espaço para conversas e demandas individuais daquelas pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade exponencial.
Pela visualização do tempo de existência do projeto e do acompanhamento horizontalizado que esse tem sobre as crianças, a pesquisa “Ações de extensão universitária com crianças de área de ocupação” buscou informações sobre o impacto da extensão universitária e de suas atividades sobre o comportamento das crianças participantes destes. Vendo, porém, que os participantes são de idades diversas, bem como de situações de vulnerabilidades variadas, o estudo se padronizou através de pesquisas feitas com as mães destes, trazendo relatos das mesmas sobre alterações comportamentais de seus filhos. A construção da pesquisa foi feita através de entrevistas semi-estruturadas, buscando maior maleabilidade nas perguntas, obtendo um resultado mais fidedigno.

O direito à saúde na percepção de moradores de ocupação urbana

Camila Aparecida Terra Hama (FCM)

Orientador: Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

Este projeto de pesquisa objetiva estudar o direito à saúde na percepção de brasileiros e haitianos moradores de área de ocupação na cidade de Campinas-SP. O estudo se mostra relevante e atual em razão do aumento do número de aglomerados subnormais e da população marginalizada habitante que compõe um cenário seriamente desfavorável para o acesso à saúde e da consciência de que tal serviço é um direito constitucional e alienável a todo cidadão.

Aborto induzido no âmbito das desigualdades sociais: revisão integrativa

Ana Carolina de Macêdo Montenegro (FCM)

Orientadora: Profa. Dra. Maria Filomena de Gouveia Vilela
Co-orientador: Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

A situação de vulnerabilidade da mulher está intimamente ligada à prática do abortamento, reforçando as condições de desigualdade. A falta de acessibilidade de métodos abortivos de baixo ou nenhum custo afeta principalmente as mulheres em contextos socioeconômicos desfavoráveis, que pela falta de conhecimento acerca de saúde sexual e reprodutiva, têm mais gestações não planejadas e realizam procedimentos inseguros que não raramente acabam em complicações e comorbidades, colocando suas vidas em risco. 
A inserção efetiva de métodos contraceptivos mais eficazes nesse contexto de vulnerabilidade promoveria menos gestações indesejadas e, consequentemente, menos abortos provocados. A conscientização sobre o tema e acerca da magnitude desse problema no Brasil é essencial para que ele seja diminuído e controlado, sendo necessárias medidas de saúde pública que promovam a disseminação de informações de saúde sexual, reprodutiva e planejamento familiar.
A legalização do aborto no Brasil também seria relevante na discussão acerca da redução da desigualdade do acesso a procedimentos abortivos seguros, eficazes e com acompanhamento médico adequado.

Desigualdade social e infeção por HIV/Aids em área de ocupação

Iniciação Científica em andamento

Guilherme Matheus de Oliveira (FCM)

Orientador: 

Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

O padrão epidemiológico da infecção pelo HIV e Aids tem sofrido mudança nos últimos anos, com aumento de vulnerabilidade a novos casos nas populações de baixa renda, mulheres e negros, pari passu ao aumento da desigualdade social e do número de pessoas morando em ocupações. Os objetivos dessa pesquisa são identificar a opinião de moradores de uma ocupação a respeito de prevenção e acesso a tratamento da infecção pelo HIV e Aids e a relação entre determinantes sociais de saúde e essa doença, além de realizar ação de educação em saúde sobre esse tema. Serão realizadas entrevistas semiestruturadas e grupos focais com moradores de ocupação do município de Campinas-SP.

Contribuição da extensão universitária para o ensino de direitos humanos em profissões de saúde

Mestrado

Beatriz Soares Pires

Orientador:

Prof. Dr. Rubens Bedrikow

RESUMO

Investigação de elementos que articulam um programa de extensão universitária ao ensino de Direitos Humanos na formação de estudantes de enfermagem, fonoaudiologia e medicina, enfatizando a pobreza e a exclusão social como fatores que inibem o acesso e a garantia de tais direitos e que violam a dignidade humana. O objetivo geral da pesquisa é analisar em que medida o programa de extensão universitária “Promoção de Cidadania e Saúde em Aglomerado Subnormal” tem contribuído para o ensino de Direitos Humanos a alunos de enfermagem, fonoaudiologia e medicina. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória, composta pelas seguintes etapas: análise documental; elaboração e análise do diário de campo da pesquisadora; entrevistas semiestruturadas com alunos de graduação e com membros das respectivas comissões de ensino dos cursos envolvidos. Espera-se por meio desta pesquisa o reconhecimento e a legitimidade de processos formativos que consideram a extensão universitária como estratégia pedagógica para o ensino de Direitos Humanos, reafirmando o compromisso da universidade pública com a formação de sujeitos comprometidos com os direitos e a dignidade inerentes à pessoa humana – uma questão fundamental na área da saúde. Almeja-se ainda incentivar o ensino de Direitos Humanos estruturados como promoção de equidade e justiça social.

Sofrimento de mulheres moradoras de ocupações urbanas: um desafio para o trabalho na Atenção Primária à Saúde
Suffering of women living in an informal settlement: a challenge to work in Primary Health Care

Mestrado

Aline Messias Mota (psicóloga)

 

Orientador:
Prof. Dr. Rubens Bedrikow

 

RESUMO

 

Entre os efeitos sociais da pandemia COVID-19, o aumento da pobreza, do desemprego e da desigualdade social no Brasil levaram ao agravamento dos problemas de saúde, especialmente entre os cidadãos mais pobres. O objetivo desta pesquisa foi discutir as potencialidades e limitações do processo de trabalho na atenção básica à saúde a partir da Estratégia Saúde da Família. Para tanto, realizamos entrevistas semiestruturadas com quatro mulheres residentes em uma ocupação urbana no interior do estado de São Paulo, Brasil, entre janeiro e fevereiro de 2020. Verificamos que as mulheres vivenciam sofrimento em relação a questões como precariedade habitacional, transitoriedade, isolamento social e silenciamento. A forma como a atenção primária à saúde está organizada e os processos de trabalho dos profissionais dificultam o acesso dessa população aos serviços de saúde e a percepção dos profissionais sobre seu sofrimento. Os achados desta pesquisa apontam para a necessidade de reavaliar e aprimorar a Estratégia Saúde da Família.

 

Palavras Chave:  População urbana. Áreas de Pobreza. Mulheres. Atenção Primária à Saúde. Saúde da Família. Brasil.

 

ABSTRACT

 

Among the social effects of the COVID-19 pandemic, increased poverty,  unemployment,  and  social  inequality  in  Brazil  have  led  to  worsening  health  problems,  especially  in  the  poorest  citizens. The purpose of this research  was  to  discuss  the  potentialities  and  limitations  of  the  work  process  in  primary  health  care  based  on  the  Family Health Strategy. In order to do so, we conducted semi-structured interviews with four women living in an informal settlement in the interior of the state of São Paulo, Brazil, between January and February 2020.  We found that the women experienced suffering  in  relation  to  issues  such  as  housing  precariousness,  transience,  social  isolation,  and  silencing.  The way in which primary health care  is  organized  and  professionals’  work  processes make it difficult for this population to access health services and for professionals to perceive their suffering. The findings of this research point to the need to reevaluate and improve the Family Health Strategy.

 

Key words: Urban Population; Poverty Areas; Women; Primary Health Care; Family Health; Brazil.

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